Mensalidades de escolas particulares podem subir até 11% em 2027

As mensalidades das escolas particulares devem ficar mais caras em 2027. Um levantamento realizado pela consultoria Meira Fernandes aponta que 80,66% das instituições de ensino consultadas projetam reajustes entre 7% e 11% no próximo ano. O índice supera a inflação projetada para 2026, estimada em 5,03% pelo mercado. (Folha de S.Paulo)

A pesquisa ouviu cerca de 1,5 mil escolas de oito estados — São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima. Juntas, as instituições atendem aproximadamente 120 mil alunos. Ao todo, 98,9% das escolas consultadas afirmaram que pretendem elevar os valores cobrados em 2027. (Folha de S.Paulo)

Entre as instituições que projetam aumento, a faixa de 9% a 11% é a mais citada, enquanto outras escolas trabalham com reajustes entre 7% e 9%. O levantamento, no entanto, não significa que todas as instituições do país aplicarão os mesmos percentuais. O valor final depende da estrutura de custos e da situação financeira de cada escola. (Diário do Comércio)

Segundo a pesquisa, um dos principais fatores que pressionam as despesas das escolas é a necessidade de ampliar os investimentos em educação inclusiva. Esse item foi citado por 35,9% das instituições. A contratação de profissionais especializados aparece em seguida, mencionada por cerca de 16% dos colégios. (Folha de S.Paulo)

A folha de pagamento e a alta rotatividade de funcionários também pesam nas contas. Quase 30% das escolas ouvidas relataram que despesas com substituições, novas contratações e treinamentos têm afetado o caixa das instituições. (Pebsp)

Outro ponto de atenção é a inadimplência. No primeiro semestre de 2026, 51,93% das escolas pesquisadas registraram atrasos correspondentes a entre 2% e 5% de sua carteira de pagamentos. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 46,59%. (Folha de S.Paulo)

As instituições também apontaram novos gastos relacionados à tecnologia, proteção de dados, prevenção ao cyberbullying e adequações ao chamado ECA Digital como fatores que passaram a pressionar os orçamentos. (Folha de S.Paulo)

Pais devem ficar atentos às regras

Apesar da previsão de reajustes acima da inflação, as escolas particulares não podem aumentar a mensalidade livremente a qualquer momento. A Lei 9.870/1999 estabelece que o valor anual ou semestral deve considerar a variação dos custos da instituição, incluindo despesas com pessoal e custeio, e que eventuais acréscimos precisam ser comprovados por meio de planilha de custos. (Planalto)

A legislação também determina que o valor contratado tenha validade por um ano e impede reajustes em período inferior a 12 meses. Além disso, a escola deve divulgar a proposta de contrato, o valor da anuidade e outras informações com pelo menos 45 dias de antecedência em relação à data final para matrícula. (goias.gov.br)

Na prática, isso significa que um reajuste de 11% não é automaticamente ilegal apenas por estar acima da inflação. A instituição precisa conseguir justificar a elevação com base na evolução de seus custos e apresentar a documentação exigida quando solicitada pelos responsáveis. (agencia.go.gov.br)

Para as famílias, a recomendação é antecipar o planejamento financeiro para 2027 e considerar não apenas a mensalidade, mas também despesas como matrícula, material escolar, transporte, alimentação e atividades extracurriculares.