Brasil registra recorde de empresas em recuperação judicial no primeiro semestre de 2026

O número de empresas brasileiras em recuperação judicial alcançou uma nova máxima histórica no primeiro semestre de 2026. Ao final de junho, 6.341 companhias estavam submetidas ao processo, segundo levantamento do Monitor RGF-BizDoc.

A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para negociar suas dívidas com credores e, ao mesmo tempo, buscar a continuidade das operações.

O resultado representa um crescimento de 6,2% na comparação com dezembro de 2025. O pico da série histórica, no entanto, foi registrado em maio, quando 6.513 empresas estavam em recuperação. Em junho, o número recuou em 172 companhias.

Pequenas empresas concentram avanço

O aumento tem sido especialmente expressivo entre os negócios de menor porte. Desde 2023, a quantidade de microempresas em recuperação judicial mais que dobrou.

Outro segmento que aparece entre os mais afetados é o agronegócio. Mais de 1,2 mil empresas do setor estão atualmente em recuperação judicial, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores e companhias ligadas à cadeia agroindustrial.

Entre os fatores que contribuem para o cenário estão o custo elevado do crédito, as taxas de juros em patamares altos e a maior dificuldade das empresas para renegociar compromissos financeiros. A combinação desses fatores aumenta a pressão sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de pagamento das companhias.

Grandes empresas também recorrem à recuperação

O movimento não se restringe aos pequenos negócios. Empresas conhecidas do mercado brasileiro também recorreram a mecanismos de recuperação para reorganizar suas finanças.

Entre os casos está o Grupo Casas Bahia, que apresentou pedido de recuperação judicial em agosto, envolvendo R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo.

A Tok&Stok e a Marabraz também recorreram à recuperação judicial.

Nesta semana, a Justiça aceitou o pedido apresentado pelo grupo responsável por marcas como Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill. O processo envolve aproximadamente R$ 265,2 milhões em dívidas.

Já a Braskem apresentou um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de reorganizar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.

O avanço dos pedidos evidencia a pressão enfrentada por empresas de diferentes setores e tamanhos diante de um ambiente de crédito mais caro e de maior dificuldade para equilibrar receitas, despesas e compromissos financeiros.